Ofurô corporativo

Consegue se imaginar num dia de trabalho com muitas cobranças, várias demandas pra fazer ao mesmo tempo, telefone tocando, atendendo cliente, digitando um e-mail, faz trabalho, refaz o trabalho...? Ufa! Cansativo! E após um dia assim, que tal se a empresa lhe cede uma sala com um ofurô, a luz de velas, com pétalas de rosas na água bem quentinha? Seria relaxante e compensatório. Porém, como seria no dia seguinte voltar à mesma rotina estressante?

É nisso que se baseia a prática de ofurô corporativo*: promover atividades com objetivo de diminuir o estresse do dia de trabalho sem que haja melhorias nas relações de trabalho, no reconhecimento dos trabalhadores, nas condições de trabalho ou mesmo na raiz do problema que provoca o desgaste do dia a dia. Dentre as atividades mais propostas estão massagens relaxantes, ginástica laboral e palestras. São boas opções para lidar com ambientes de trabalho que demandam muito e pode evitar o surgimento de tendinites e tenossinovites, por exemplo. Mas, se nada mudar nas condições de trabalho (altas exigências, urgências excessivas, assédios), nem massagens e nem ginástica laboral vão ser capazes de evitar o dano.

Portanto, são bem vindas as ações que focam em melhorias e mudanças no ambiente de trabalho, e não somente no trabalhador isoladamente. Tal fato ajuda a explicar porque 47% dos trabalhadores brasileiros apresentam grau elevado de ansiedade, segundo a ISMA-BR (International Stress Management Association) e que tem levado a alto uso de medicamentos para ansiedade, depressão e dificuldade de concentração. A relação ruim com a chefia e critérios pouco claros sobre reconhecimento no trabalho são vistas como causas citadas de forma recorrente. Em tempos de crise, as pressões costumam aumentar e o medo de errar e/ou de ser demitido(a) podem aumentar consideravelmente estes sintomas. Desta forma, não há thai chi, massagem ou mindfulness que dará conta deste contexto de trabalho gerador de tensões.

E você, já se viu num ofurô corporativo na sua carreira?



* Essa expressão foi criada pelo Psicólogo Doutor em Ergonomia e Professor da UnB Mário Cesar Ferreira e sua publicação está disponivel em www.ergopublic.com.br.



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